sábado, 31 de julho de 2010

E se...

"E se..." nunca existiu. Se existisse seria a covardia de se arrepender sem ter feito. Pareceria com a saudade do que nunca foi vivido e do que nunca se possuiu. Seria sufocante como a fumaça tragada e não expelida, que vai fazendo mal até o dia que se tussa e a expulse do peito.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Sobre o Perdão

Na maioria das vezes não quero ouvir justificativas e muito menos pretextos. Quem perdoa de verdade deseja ver o arrependimento somente. Acredito no pedido de perdão silencioso, aquele feito com um olhar, da boca pra dentro.

domingo, 27 de junho de 2010

Algumas verdades

Chegou um dia que me dei conta que sou tão diferente do padrão que poderia ser expurgado da linha de produção por defeito de fábrica. Não saí imagem e semelhança dos que me governam e se pudesse tomaria o poder e libertaria todos os escravos. Aprecio músicas diferentes, me emociono com o cinema não convencional. As pessoas complicadas são as que me conquistam porque até o meu gostar é diferente, não quero ninguém completo, com todos os itens de série, estou sempre fugindo do que é igual, o simplório que acaba virando banal. Banalidades são bastante previsíveis e eu quero sempre me surpreender. O mundo quer de mim todas as certezas e a única que tenho é que a minha opinião muda a toda hora. Alguém me disse que a felicidade exige bastante responsabilidade, começo a duvidar se realmente tenho alguma chance de ser feliz já que muitos me chamam de irresponsável. Mas acabo seguindo com pressa, a inimiga da perfeição, porque quero um mundo mais parecido comigo, torto mas diferente.

sábado, 26 de junho de 2010

As Cores de Julho

Adoro essa época do ano, julho costuma ter esses ares de férias que me fazem sentir uma tremenda saudade de ser criança. O dia amanhece com tanta vida que é impossível não abrir todas as portas e janelas. O céu dispensa todas as nuvens para exibir o seu mais exuberante azul e raias tornam-se seus únicos adereços dançantes nos fortes ventos desses dias. Até as frutas ganham mais sabor e a natureza camaleoa se veste das cores de julho...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Ensimesmando

Diálogos internos, piadas internas, sofrimentos internos. Sou algumas vezes o meu pior inimigo, outras o amigo que qualquer um deseja. Ocasionalmente me condeno sem nenhuma chance de defesa e em certos dias juro inocência mesmo sendo culpado, 'parece que foi sem querer'...

domingo, 6 de junho de 2010

Onde é que ajusto o foco?!

Agora preciso focar o que está em primeiro plano, o que está mais próximo de mim e que realmente faz diferença, o que está além disso não necessita de nitidez. Tenho também que aplicar um pouco de zoom, preciso enxergar detalhes que não são vistos com tanta facilidade...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A volta sempre parece ser mais rápida...

A rotina não me faz bem, definitivamente. Não nasci para saber onde vou estar daqui a um ano, um mês ou a semana que vem. Detesto saber o que vai acontecer depois e acho que descobri porque quando viajamos a volta sempre parece ser mais rápida. Num caminho desconhecido tudo é novidade, temos surpresas, prestamos mais atenção, guardamos as primeiras emoções na memória e arquivamos as imagens que nunca vimos. Quando o caminho já foi visto as surpresas diminuem, quase deixam de existir, tudo fica banal, as ações ficam automáticas. O tempo é realmente relativo. Filmes reprisados dão a mesma sensação, demoram menos que os inéditos. Na rotina tudo é acelerado, não sobra tempo pra nada. Não quero isso pra mim. Não quero saber o que vai acontecer a vida inteira. Prefiro cem dias diferentes que viver cem anos iguais.

sábado, 8 de maio de 2010

Desencantando

Tão comum é querer desgostar e continuar gostando. Estranho é quando se desgosta e no fundo não se quer que o gostar acabe. Mesmo que esse gostar traga mais frustrações que recompensas. No fundo apreciava aquele jogo tão disputado entre medo e esperança. Tinha medo de não ter de volta seus beijos e temia aquele olhar frio tão diferente do primeiro, mas em seguida vinha a esperança de novamente beijá-la e possuí-la, satisfazendo-me com pequenas demonstrações de carinho ou a suposição de algo mais. Quando não temos medo de perder a paixão diminui, mas quando a esperança deixa de existir a paixão acaba, e acaba com uma grande decepção, me dei conta que ela não fazia nem de longe o meu tipo, e suas idéias não correspondem aos seu atos. A lealdade é umas das maiores virtudes que se pode ter.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O que importa?

No fim de uma noite dessas, em pensamentos distraídos, descobriremos a verdadeira importância de muitas coisas de nossas vidas. Aprenderemos que subestimamos o que realmente é valioso e nos importamos muito com o que não merece. E por fim entenderemos que "só vale a pena lutar por aquilo que vale a pena possuir".

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O mostruário da vitrine é sempre mais barato.


De vez em quando acordo com os pés virados para a cabeceira da cama. Sou estranho, reconheço, juro que tento ser mais racional, menos sonhador, menos apaixonado e mais responsável. Não sei explicar alguns sentimentos, queria mesmo era não saber senti-los ou pelo menos saber controlá-los, mas a única coisa que consigo é torná-los mais intensos.
A cada dia que me levanto prometo pra mim mesmo, organizar tudo o que está desorganizado. Do meu quarto, que volta e meia está de pernas pro ar, aos arquivos do meu computador, dos meus horários que se chocam e me pedem que eu esteja em dois lugares ao mesmo tempo, aos meus pensamentos, tortos e incoerentes. Mas na confusão de tudo, sempre encontro uma lógica e me situo. Por mais que muita gente não acredite, eu não estou perdido nessa desordem, muitas vezes é exatamente ela que me faz ver melhor. Ocasionalmente a visão fica embaçada com alguns sentimentos que não fazem bem aos olhos da alma e me engano num sem querer querendo clássico. E quando o coração escolhe alguém pra gostar, escolhe porque sabe os meus gostos, mesmo que não os admita. Não desejo quem leva tudo para a vitrine, o mostruário sempre é vendido por um preço inferior ao preço dos itens que estão no estoque. Eu quero o que é raro e o que é raro, sabe-se, é mais caro. Não sou de fazer economias de sentimentos e quando amo gasto tanto amor que pouco sobra para outra pessoa ou para qualquer coisa. Gosto de descobrir, dispenso receitas, prefiro aprender com erros a seguir um manual de instruções e não saber o que fazer caso o perca.


terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Impaciência

Algumas vezes desejo que o tempo passe mais rápido, esperando não ver como as coisas mudam, mas querendo ver tudo transformado, sem os males que as mudanças causam, seja a saudade do início, o medo de não resistir ou a vontade de voltar atrás. Mas isso é bobo, é esse processo de mudança que nos amadurece e nos deixa mais avigorados, prontos para as novas mudanças que se seguirão e mesmo que insistamos no mesmo erro com as mesmas pessoas, podemos nos prevenir ou pelo menos amenizar as consequências de atos reprisados. Essa impaciência é apenas receio, receio pelo que pode se tornar muito estranho e distante, receio por nada voltar a se parecer com o que era, receio pelo o que deixamos de ser e por quem nunca teremos de volta.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009


Então a onda veio e apagou toda aquela história escrita na areia da praia. Tanto empenho pra nada já que eu sabia que mais cedo ou mais tarde a onda viria. E é assim: ela faz o seu estrago e vai embora como se nada tivesse acontecido. Vou tentar ficar um pouco mais longe do mar, mas sei que um dia a maré pode subir acima do normal...

domingo, 15 de novembro de 2009

O que se faz quando não se sabe o que fazer?

Reavaliando essa condição conhecida que às vezes me é tão estranha, sinto novamente uma desordem de pensamentos. Realmente não entendo, nunca estive próximo de entender e acredito que nunca entenderei. Procuro um meio, qualquer forma de reencontrar o que foi perdido e restabelecer o elo quebrado durante as minhas súbitas mudanças de humor. Por algumas vezes detesto a quem mais gosto pra depois gostar mais ainda. O que se faz quando não se sabe o que fazer? Do que sorrir quando não existe graça em coisa alguma? Alguém me disse do que eu sou feito e eu na minha criancice (ou seria burrice?) não quis dar ouvidos.

domingo, 1 de novembro de 2009

Seleção de alguns poemas

Ciúme

Sem poder impedir que outros te toquem, fujo

Deixando-te além dos meus olhos

Porém, mesmo longe, imagino e sinto da mesma forma

O ciúme que me faz sorrir tentando disfarçar

Que me faz ver o que não existe e supor o que tu não pensas

Sentimento de repulsa e ao mesmo de afeição

Como o frio gelo que queima e arde

Quando eu sonho ser o teu único dono

(Não sei quando escrevi isso, acho que é de 2005 ou 2006)

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Sem Título

Dentro de exatas equações refaço-me
Caminhando em meio a delírios
Não canso de dizer
Não quero esquecer
O que eu sou ainda sou
O que eu fui não sou mais
O que eu serei,
Não sei.

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Sem Título

Tentei encontrar o início, tentei refazer o caminho
De nada adianta vontade sem atitude
De nada adianta atitudes sem compromisso
Enquanto faróis amplificados invadem meus olhos, reflito
Assim fujo da loucura da vida.

sábado, 10 de outubro de 2009

A memória eternamente lutando, imaginando sem saber aonde.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Saudade é ruim demais...

Andei sentindo falta de algumas pessoas. É estranho perceber que algumas relações deixam de existir num espaço de tempo tão curto que não nos damos conta de quantos dias, meses ou anos se passaram. Pessoas entram e saem de nossas vidas muitas vezes sem avisar e sem dar explicação. Algumas, provavelmente a maioria, não nos fazem a menor falta e imaginamos a razão de nos relacionarmos com tanta gente que em nada nos acrescenta. Porém existem aquelas que permanecem dentro de nossos pensamentos mesmo quando estão distantes. Aquele amigo que viajou e deixou de mandar notícias há um tempão, a amiga que casou e agora não nos dá a mínima, a ex-namorada que acha que ex-namorados não podem ser amigos. Uma vez ou outra dá uma vontade insuportável de buscar onde quer que esteja aquele alguém com quem vivemos os melhores momentos de nossas vidas, com quem demos os nossos mais verdadeiros sorrisos e choramos as mais sinceras lágrimas. É uma vontade de saber como está e saber se os sentimentos permanecem os mesmos. Mas tem também aquele amigo que morreu cedo demais, as pessoas que gostávamos tanto (e continuamos gostando) e foram embora pra sempre deixando apenas lembranças e esse vazio insuportável que por mais que o tempo passe jamais será preenchido.


“Eu tenho medo e já aconteceu, eu tenho medo e ainda está por vir...” Belchior

Volta e meia reencontro esse mesmo medo. Nova paixão. Tudo novo. Agora desprezo todas as bocas que beijei antes. Tenho certeza do que já aconteceu e tenho mais certeza do que ainda está por vir. Talvez simples fogo de palha, como na maioria das vezes. Mas vem agora esse medo de decepcionar, de complicar o que ainda está simples e que por isso mesmo é tão bom. Um temor de ficar longe por muito tempo e de que aquele pedido de desculpas não seja aceito. Um medo de gostar mais do que eu suporte ou de conquistar e depois não querer mais. Porém, ao mesmo tempo em que envolve tantas complicações e tantos medos é também algo grandioso, excitante e renovador. É fonte de nova inspiração. É letra e música. É como frio e cobertor. Goiabada e queijo. Café e leite...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Vinte e Poucos Anos


Por mais que a gente tente disfarçar, os anos passam, a gente envelhece e vira adulto de uma hora para outra. A cada aniversário a gente toma um choque, caramba "tô" ficando velho! (e ainda comemoramos...). Vem uma enchurrada de responsabilidades inevitáveis, o emprego de verdade, o namoro que culminará em casamento, esse tipo de coisas das quais não podemos fugir. A ingenuidade da infância foi substituída pela perspicácia, a ousadia adolescente vai sendo sufocada e aos poucos vai dando lugar a uma prudência que no futuro pode nos impedir de buscar uma nova alternativa de felicidade. É um sentimento que nos compele a mudar nosso modo de pensar ou pelo menos o nosso modo de agir. Temos medo de nos tornarmos quarentões adolescentes (como aquele seu tio que acha que ainda está na década de 70) e viramos adultos aborrecidos com tudo. Se você ainda não sentiu, um dia sentirá o que eu estou sentindo agora, com vinte e poucos anos, cheio de atitudes e pensamentos tortos que precisam ser endireitados.

José Claudiomiro C. dos Santos,
Agora com 22 anos.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Quando eu penso que tudo acabou não me dou conta que tudo está apenas recomeçando.

Tudo, e não é por força de expressão, realmente tudo acaba, passa ou é esquecido. Até os átomos que compõem o universo se decompõem com o passar do tempo dando lugar a novos átomos em processos que eu nunca vou entender. Fios de cabelos caem e outros nascem. Ouvi dizer que a cada sete anos todas as células do nosso corpo são renovadas, já pensou?! Aquele moleque de sete anos atrás não existe mais! (Eu já desconfiava disso...) Se todas as coisas concretas da existência deixam de existir, o que falar então do que é intangível? Sentimentos, sonhos e lembranças. Esse tipo de coisas que poucas vezes compartilho e que são de única e exclusiva propriedade minha.

Acho extremamente complicado lidar com esse tipo de situação porque tenho uma necessidade infantil de nunca me desfazer do que gosto, e até compreendo isso, mas devo reconhecer que a roda da vida não pára e que se eu acumulasse tudo o que cativo não teria espaço para o novo, a aventura do totalmente desconhecido.

Sei que tenho que rever meu conceito ultrapassado de beleza, esquecer lembranças ruins e todos os maus sentimentos causados por elas. Trocar sonhos antigos e impossíveis por novos sonhos palpáveis e realizáveis (isso eu sei que não consigo). Amores velhos e falidos têm que dar espaço a novos amores.

Não posso manter paixões, prazeres e pessoas em minha vida. Entendo que devo aceitar e deixar que tudo passe para ter essa sensação tão boa (ou seria melancólica?) de recomeço.

domingo, 16 de agosto de 2009

Quem cala realmente consente?

Não suporto esse meu calar quando mais devo falar, aprisionando palavras em vez de pronunciá-las. Entendo que essa negligência me faz cúmplice de tudo e traz algumas consequencias que nunca poderão ser reparadas. Já calei por medo diante de tantas dores, diante de tantos anseios, em meio a sentimentos bons e ruins que mereciam ser explícitos e que no máximo ficaram subentendidos. Hesitei perante diversos insultos que deveriam ter sido revidados ainda que a resposta fosse menos impetuosa e mais corrosiva. Emudeci mesmo quando existia um nó na garganta e até quando sabia que estava certo. Silenciei frente a tantos acontecimentos, fatos totalmente contra os meus princípios e ideais que algumas vezes desconheci a mim mesmo.
Arrependo-me de não ter dado aquele conselho e de não ter apenas dito o que eu pensava a respeito. Envergonho-me pelo meu desmazelo nas situações que exigiam que eu tivesse mais firmeza em vez de brandura. Sinto-me fraco por ter acatado decisões alheias sobre a minha vida que apenas eu e mais ninguém deveria ter tomado.
É uma espécie de covardia combinada com uma vontade irracional de manter a ordem das coisas. Mas espera aí! Quem disse que as coisas precisam ser mantidas em ordem? Quem disse que essa ordem tão buscada é realmente a mais sensata das buscas? Não será que se tudo estivesse fora de ordem e bagunçado, eu não teria uma visão mais verdadeira e imparcial do meu mundo e até do mundo dos outros? Quer realmente saber? Quando calo não estou consentindo coisa alguma.